No mundo do século XXI, é normal encontrarmos computadores, televisores, eletrodomésticos em todos os cantos de uma casa. Porém, para que isso tenha sido possível, muitas transformações tiveram que acontecer.
O texto a seguir foi escrito pelo cientista Harry Einstein, um personagem fictício criado pelos autores e autoras deste post. Harry no momento em que conta a esta história é um cientista formado, porém frustrado por não ter feito nenhuma grande descoberta científica que revolucionou a história.
“Lembro-me quando era um jovem estudante, em meados de 1920. Nessa época, presenciei a consagração de vários cientistas com o Prêmio Nobel, que eu tanto sonhava conquistar um dia. Entre eles, saliento Theodor Svedberg, que recebeu o Nobel de Química, em 1926, com a sua pesquisa físico-química dos colóides. Já 1927 foi um ano mais movimentado, quando Otto Wieland descobriu os ácidos biliares. Em outubro do mesmo ano, ocorreu a 5ª Conferência Internacional de Solvay, a qual eu não fui convidado. Essa foi particular não só pelos temas, mas também projetos apresentados. A constituição da matéria foi o tema base e a discussão sobre a recente energia quântica. O grupo de trabalho dessa conferência era formado pelos mais notáveis (convencidos) físicos, que eram liderados por Albert Einstein e Niels Bohr. E para despertar o interesse de tantos homens, e bota homem nisso, uma única mulher estava presente, Marie Curie. Mas não se engane, ela não estava lá por acaso e sim, porque ela já era detentora de dois prêmios Nobel, unindo a útil inteligência à agradável beleza.
Falando nisso, beleza era o que faltava em Alexander Fleming, que diante de acontecimentos imprevistos e surpreendentes, reforçava que nada acontece por acaso. Estava fazendo uma pesquisa sobre estafilococos. Tirou férias e esqueceu algumas placas com as culturas de suas bactérias sobre sua mesa. Quando voltou da “vagabundagem”, algumas placas estavam contaminadas com mofo. O desleixado decidiu colocá-las em uma bandeja para limpeza. Mas neste momento, entrou seu colega, o doutor Pryce e lhe perguntou como iam suas pesquisas. Fleming apanhou uma de suas placas, quando notou que em uma delas havia um círculo transparente em torno do mofo contaminante, que indicava que aquele fungo produzia uma substância bactericida. Chamou-o de penicilina e este ,tornou-se assunto discutido por ambos e que levou Fleming a fazer culturas do mesmo para estudo posterior. Depois desse estudo, passou a empregá-lo em seu laboratório para selecionar as bactérias, eliminando das culturas as espécies sensíveis a sua ação. Porém, sua descoberta não despertou grande interesse na época (ah, que pena) e não houve interesse em usá-la em caso de infecção humana até a eclosão da Segunda Guerra Mundial. E, como se seguindo uma onda de descobertas, o psiquiatra alemão Hans Berger apresentou, em 1929, um novo modo de registrar as correntes elétricas do cérebro humano, o eletro encefalograma, e no ano seguinte, Zworkin inventa o microscópio eletrônico, revolucionando o mundo científico. Em 1932, o físico inglês James Chadwick descobre a existência do nêutron.
Mas, nem tudo era um mar de rosas. Em 1933, Adolf Hitler chega ao poder e um grande, nem tão grande assim, cientista judeu, Albert Einstein, encontra-se em perigo vivendo na Alemanha. Aconselhado por amigos e aceitando uma proposta de trabalho, Einstein foge do país, marica, e começa a trabalhar no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton, Nova Jersey, como professor de física teórica. E, lá, passou os últimos quarenta anos de sua vida tentando unificar os campos eletromagnético e o gravitacional numa única teoria que ele chamava de Teoria do Campo Unificado. Coitado.
Enquanto isso, em 1934, Irene Curie, filha de Pierre e Marie Curie, juntamente com Féderic Joliot anunciam a descoberta da radioatividade artificial. E, cinco anos depois, em 1939, os físico-químicos alemães Otto Hahn e Lise Meitner realizam experiência onde conseguem fazer a fissão do núcleo do urânio.
Alguns anos depois, James Batcheller Sumner descobre que as enzimas podem ser cristalizadas. No mesmo ano, John Mauchly e John Eckart Jr., apresentaram o “ENIAC” (Eletronic Numeral Integrator and Calculator), o primeiro computador totalmente eletrônico, que fazia cinco mil somas por segundo e pesava trinta toneladas e ocupava um andar inteiro de um prédio. ‘Quanto progresso’. Bateu tanto cansaço de falar do passado dos outros, que eu vou até puxar um ronco. Hasta mañana.”
Harry Einstein – Cientista

É engraçado como pessoas do passado fizeram com que nós, pessoas do presente, nos tornássemos o que somos.
Acontecimentos que revelaram tanto de nós, hoje merecem nossa atenção e nosso respeito. Às vezes, não nos damos por conta de como um teste de energia nuclear, ou a descoberta da estrutura do DNA podem influenciar nosso dia a dia.
É indireto, mas a influência que esses fatos têm sobre nós é estrondosa. E sabe por quê? É porque desde o princípio do século XX, do começo da década de 30, nós estamos todos inseridos em uma só filosofia, chamada Vida.
Afinal, se até Harry Einsten, cientista frustrado, primo distante de Albert e o narrador da história acima, consegue irritadamente descobrir que por mais mínima que seja uma partícula, se mudada, pode causar um grande impacto na humanidade, porque nós não conseguiríamos enxergar isso?

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