10 de julho de 2011

Vem, vamos embora!

Para que demorar cinquenta anos trabalhando em algo que pode ser concluído em apenas cinco? Foi nesse ritmo que Jucelino Kubitschek, antes mesmo de ser eleito, formulou estratégias decisivas para que o Brasil deixasse de ser uma nação agrária para ser um país industrial, através do Plano de Metas, que acelerou o desenvolvimento de um país inteiro. Com a ajuda de seus amigos Lucio Costa, Oscar Niemayer e Roberto Burle Marx, em poucos anos seria inaugurada a cidade de Brasília (1960), com verdadeiras obras de arte edificadas por esses grandes nomes da arquitetura, urbanismo e paisagismo.






Quanto à produção literária do período, e seus meios de transmissão, temos como exemplo a renomada escritora Clarice Lispector. Ela escrevia para revistas femininas e dava conselhos que iam até contra a sua própria postura de mulher moderna e ousada, devido às exigências do mercado na época.



Com o crescimento urbano, começa a surgir a "bossa" nova, entendida pelos cariocas como um "novo modo" de agir, se expressar e rimar os versos do cotidiano de uma sociedade vítima da ditadura militar. Poetas, músicos e artistas mostravam em suas criações a revolta contra esse regime totalitário, afinal, muitos eram proibidos de publicar seus trabalhos. Em suas músicas, Caetano Veloso empregou a força de opinião através de assuntos polêmicos. Já, Geraldo Vandré usava do abstrato (usando termos figurados) para que suas canções pudessem ser tocadas nas rádios.



A partir do refrão "Vem, vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer", a música "Pra não dizer que não falei das flores", encarada como hino dessa fase de medos e angústias, faz um convite que é aceito pelo povo, derrubando a ditadura. Sendo assim, a população exemplifica o fato de que agressão não é o melhor modo de expressão, mas sim, a educação e a persistência.





O jornalista Say Marques fez questão de lembrar que leitura rima com cultura, idealizando a primeira Feira do Livro (1955), na Praça da Alfândega em Porto Alegre: era preciso popularizar o livro, levando a livraria até o povo. Quem esteve presente, em ao menos um dos quinze dias do evento, sabe como foi necessário muito trabalho, mesmo que para obter pouco lucro, afinal, eram oferecidos descontos atrativos, incentivando ainda mais a leitura.





Para nós, moradores da Serra Gaúcha, também foi possível observar os reflexos dessa evolução artística e literária em Caxias do Sul. Com a prática da leitura presente nos hábitos dos cidadãos, novas portas se abriram para o setor educacional. Consequentemente, foi criado o núcleo de cultura sistematizada (1967), hoje conhecido como Universidade de Caxias do Sul (UCS).



"É fácil viver com os olhos fechados, compreendendo errado tudo o que se vê."




(John Lennon)








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